terça-feira, 7 de agosto de 2012

Divagações sobre um conselho ao meio dia


Preciso revelar o amor que sinto agora, mas o que já fiz e falei me deixam uma marca que não compreendo. Tenho medo de ser criticada pelos que eu critiquei, pois me criticando estarão certos.  Esse amor é o avesso de tudo que já experimentei, é belo. Sinto que não é humano. Sinto que não vem de mim. E, eu que sou tão chegada ao drama e melancolia, hoje recebi um telefonema, quando o sol parece estar no cento do céu, a voz do outro lado da linha que outrora já se comprometia reiterava a promessa feita de vir ter comigo em meu exílio, um jogo de xadrez. A voz também me incentivou a fazer o que faço agora, mas sobre a temática da dor, coisa que de fato tenho propriedade. Mas, a dor quase idealizada que sempre senti entre palavras e notas de meus inspiradores favoritos, deixou de me fazer sentido. Agora, eu entendo que a dor é realmente inevitável, mas o sofrimento, minha cara voz do meio dia, nada mais é do que opcional. Minha opção, hoje, é pelo não sofrimento. Não chego a sentir a mórbida felicidade dos que crêem que a dor os dará a passagem para um futuro melhor, porque ando me importando muito com o presente e a forma como o estou vivendo. Tenho para mim que me concentrar na dor não é uma boa escolha e eu já cansei de rechear a minha vida com o oposto dessa. Posso não deixar de sentir a dor por ignorá-la, por não saber me expressar sobre ela, mas assim o farei, pelo menos enquanto não puder sentir em versos. A dor em versos sempre me causou inveja, quem dera eu sofrer com os poetas. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não me faz bem....


Procurei atribuir sentido as coisas me utilizando de conceitos retrógrados e sem sentido que absorvi por ser cômodo, por estarem ali prontos. Daí, eu sempre recriminei seu estilo de vida, seu baseado, seu pedantismo, sua música, seus amigos, fazendo até você tentar ser o que não gostaria e não acreditava. Você quis me explicar como vivia e gostaria de viver e eu não quis compreender. Mas, passa o tempo, porque ele sempre passa, e aqui estou eu, reproduzindo exatamente cada detalhe do que recriminei com a cruel diferença de não ter o seu talento, sua sagacidade e brilhantismo. Ando reproduzindo em preto e branco, em uma imagem chuviscada o que você fez e faz em alta definição. Dizem que é isso o bom da vida: deixar de ser hoje o que fomos ontem... Progressão ou não, apenas MOVIMENTAÇÃO, o que há de ser melhor do que ficar estagnado! “Só os idiotas não mudam de opinião”. E, você sabe e eu sei que minha idiotia não chega a me cegar totalmente. Acontece que a parcela que me cega me fez perder grandes oportunidades de deixar de viver de forma cretina, me fez perder você, o que não doía até você alcançar pelo caminho torto que você seguiu tudo o que eu desejava mesmo sem saber. Mas, ei de curar-me e encarar a luz. Comecei com atitudes e partirei para os conceitos. Pois, sou o avesso do convencional, mesmo ciente que isso quase sempre não me faz bem.
                                                                                                                             

domingo, 15 de julho de 2012

Auto análise


Se envolver no problema dos outros para esquecer os seus próprios problemas é uma estratégia pouco inteligente e muito triste, isso é um fato. Mas, também é muito desolador. Chega uma hora que o outro, sendo o outro passa a andar com as próprias pernas e o seu envolvimento não parece tão significativo quanto era na ocasião do problema. Daí você precisa novamente se auto enfrentar . É a batalha mais difícil dessa guerra que é a vida. O auto enfrentamento me angustia, me causa náuseas. Não sou apenas capaz de perceber minhas fraquezas, imperfeições e medos, mas principalmente sou capaz de perceber a pouca disposição que tenho para transformá-las em forças, perfeições e coragens. Preciso admitir, tenho preguiça da autotransformação. Boas resoluções é um primeiro passo, mas é um primeiro passo em um caminho longo, cheio de barrancos te convidando a encostar. E, eu não vacilo, encosto. No último Congresso Espírita que participei o palestrante citou o comentário de uma colega que afirmou amar o espiritismo, mas considerava esse negócio de reforma íntima muito complicada ou outro adjetivo que minha memória não me permite acessar. Penso o mesmo. Mas, sem reforma íntima não faz sentido nenhum a nossa existência. Passar a vida em branco é até mesmo impossível.  Estamos sujeitos a dor, sofrimento, decepções, angústias, medos e um tanto de outras coisas que só de pensar nos nomes me dá um frio na espinhela, como diriam os antigos. A forma como lidamos com essas sujeições é que determina o nosso grau de adiantamento. Em um processo de auto análise não é difícil concluir que estou parada. Ando adiando me perceber, porque estou me cansando de constatar o mesmo. Tentar ser hoje melhor do que fui ontem tem sido meu motivador diário, mas não é possível colocar a cabeça no travesseiro todas as noites sem de fato saber a resposta para a pergunta recorrente: “Conseguiu ser melhor?”. Na verdade, eu queria esquecer o que já sei. Quanto mais se sabe, mais se alimenta de argumentos o mais cruel dos juízes, a consciência. Minha consciência está muito próxima da minha condenação, e meu advogado, que são minhas atitudes, já esgotou os recursos possíveis. Ando, então, apelando para o Superior Tribunal, tenho feito tantas preces, novenas, orações, simpatias que passar por tudo isso tem se configurado menos dolorido e mais interessante. A fé é subjetiva demais para resultados tão objetivos, como eu gostaria que fossem. Daí sem objetividade nenhuma, vou andando fazendo o que acho certo para a coragem ou falta dela em cada momento que enfrento. Uma hora eu aprendo a agir conforme as determinações judiciais sem contaminá-las com minhas questões infundadas, que possuem apenas o objetivo escuso de adiar o auto enfretamento inevitável. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dois estranhos


Eu nunca tenho premunições, mas dessa vez era nítido. Eu tive uma premunição. Eu não deveria ter saído de casa. Mas saí, e já lá tive a chance de entregar o que fui para levar e ter ido embora, antes de você chegar, mas eu nunca dou ouvido ao que indicam as minhas sensações. Possivelmente não as ouço porque qualquer idéia de dominação me causa horror. Acontece que há domínios necessários, e sentimentos quase sempre não se enganam. Eu fui, teimei, fiquei e você chegou. Eu não estava arrumada, nem me julgava preparada para te ver. E, você estava com um esquisito novo visual, atribuindo um ar cômico a sua imagem. Eu gostaria de ter ficado incomodada, ter lamentado o nosso erro ou ao menos considerá-lo assim. Queria que como cena de filme toda a situação que outrora nos colocamos passasse pela minha cabeça com aquela borda esfumaçada, causando-me um aperto enlouquecedor no peito, mas isso não aconteceu. E, eu fiquei constrangida por não me constranger. Agimos, então, normalmente, você até me deu um tímido abraço e de longe me questionou o olhar fixado em você. Questionou-me com aquele olhar de quem já tem a resposta, sem imaginar que tudo o que eu queria saber era o que eu deveria realmente estar pensando ou sentindo mergulhada naquela sensação chata de nada sentir. Eu quis sorrir, tal como faço sempre que passo em frente aos locais onde estivemos naquele controverso dia,  mas fiquei ali sem sentir coisa alguma. Não sentir nada é um jeito estranho das coisas me incomodarem, porque passo a me mobilizar para sentir qualquer coisa e quase sempre qualquer coisa não serve. Aí, contrariando toda a sintonia, que já provamos não ter, eu te quis de novo e passei a te seguir com os olhos, experimentando um sentimento leve, que apesar de não doer, incomoda. Desejei estar te incomodando também, mas desse incomodo estranho que nos deixa assim, sem saber o que esperar da situação, do outro. Na verdade, não passamos de dois estranhos. 

À espera


Queria eu poder fazer da tua dor a minha
e perceber as dimensões profundas dessa tristeza.
Queria eu poder estancar a fonte que a alimenta
e te fazer viver sem dor.
Mas, o meu querer não basta,
e toda vez que a dor te invade,
me esmaga junto implacável
e percebo o tamanho da minha impotência.

E, dali do lugar onde estou
pequena e tremula como bicho acuado,
sei que estar ao seu lado é o que quero,
mas espero calada a vitória da essência. 

Sermos uma só nota


A dor que sentes não é mais só sua,
pois a sua doçura misturou tua dor na minha.
Então, a dor aumentou? Perguntarás
E, responderei com a pouca certeza que me resta.
A dor que te sangra a alma,
também me escorre no rosto.
Agora, febril perguntarás:
E, como vê-la em pranto abafará a dor que sinto?
E, eu sem poder algum de te estancar a dor
solto um clichê redondo, floreado com minha verdade.
Meu pranto nada abafa,
mas te proponho sermos uma só nota,
diminuído o risco de desafinarmos na vida. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sala de Espera de um Pronto Socorro


Estou tentando evitar ser cobrada pela Luciane. Então, ando produzindo mesmo quando não há o menor clima. Mas, claro que não saio publicando tudo. O que é um sinal de que há em mim algum respeito próprio. Mas, certo dia, passei do limite. Fiquei esperando ser atendida em um hospital com o caderno aberto e uma caneta na mão como se esperasse que um texto me viesse tal qual uma psicografia. Mas, não há como ter inspiração sentido dor e olhando caras sofridas de quem também espera ver sua enfermidade ou a de alguém querida ser curada. Quando as caras não são sofridas os assuntos fazem às vezes. É cada conversa desanimadora que ou você começa a agradecer pela simplicidade do que te levou ao hospital ou começa a pedir perdão pelos pecados cometidos durante toda a vida, uma vez que nos achamos diante da certeza eminente comprovada pela amostragem das conversas, de que se morre do que te aflige. Esse negócio de médico e louco todo mundo ter um pouco faz muito sentido na sala de espera de um Pronto Socorro. E, a gente espera tanto para ser atendida que fica com vontade de desistir do médico e tomar o remédio indicado pela pessoa ao lado que jura ter tido ou algum parente ou amigo o mesmo problema de saúde que o seu em outra ocasião e que aquele remédio é “batata”, o que não deve ser bom, porque batata só engorda. E, aí quando finalmente escutamos o nosso nome vindo da sala de atendimento, nos deparamos com uma face tão contrariada quanto o Dr. House, quando é obrigado pela Dr. Cuddy à atender na emergência. Na verdade, todos os médios devem ter uma Dr. Cuddy os obrigando, pois isso explicaria tanta má vontade. O problema é que quando você é o alvo do mau humor housiano a comicidade se esvai. Outro grande e maior problema é que em termos de competência, nossos médicos, ao menos no Pronto Socorro, deixam muito a desejar. Mas, muito mesmo... 

sábado, 16 de junho de 2012

Dá-me tua benção...


Quarta feira fui à Missa, ação que confesso não fazer com muita constância até, porque eu  estudo a Doutrina Espírita. E, entre, vários ensinamentos, que tive a oportunidade de absorver durante a Santa Missa, esse me deixou mais pensativa, o padre disse sentir falta de ver os filhos pedirem a benção aos pais, chegou a citar que presenciou filhos saindo de suas casas dizendo apenas: “Tchau, vei” ou “Velha, deixa a chave do carro que eu vou usar depois”.Essas palavras me tocaram profundamente. Lembro-me de quando era criança e  viajava para o Piauí em período de férias para ficar na casa da minha avó, o que não era uma idéia muito original, uma vez que todos os outros tios e tias faziam o mesmo com seus filhos e filhas. Mas, a multidão de gente não era o problema, pelo contrário, era uma maravilha, tínhamos (eu e meu irmão) uma gama de gente para brincar. O problema mesmo era na hora de acordar e dormir. Quando acordávamos estavam todos ao redor da mesa e éramos obrigados a pedir a benção um a um, e não só para aos familiares, mas para todo ser acima de uma idade que não conseguíamos identificar como nova demais para tal feita. Pedi tantas bênçãos aos meus primos, que passaram a me obrigar a chamá-los de tios e eu a acreditar realmente que eram até pouco tempo atrás. Não quero dizer que era ruim receber tantas bênçãos assim durante trinta ou mais dias seguidos, mas aquele dar a mão, beijar mão, deixar que beijem a minha mão e para os mais queridos beija testa e grande abraço, cansava um pouco. E, durante a noite, todos sentados na calçada da minha linda e saudosa avó, o ritual era o mesmo e dessa vez as solicitações de bênçãos se estendiam para vizinhos e afins E, confesso que até quebrava um pouco o encanto de estar viajando para a casa da minha vovó. O tempo se passou, os anjos levaram minha avó pelas mãos e aqui em casa todo mundo cresceu. Eu fui uma adolescente revoltadinha, e com algumas reclamações, questionamentos, má vontade, fugas e etc, consegui parar de pedir a “bença” tanto para o meu pai, quanto para minha mãe, preservando para minhas tias – de verdade -  que não vejo todos os dias, inclusive as que não moram no Piauí. Acontece, que quarta feira eu fui à Missa, e ao contrário do comentário de uma amiga, que afirmou só poder se tratar de uma missa de sétimo dia ou uma paga de promessa, lá estava eu de coração aberto, participando efetivamente da celebração. Cheguei em casa, então, e antes de dormir pedi a benção para os meus pais. Não tenho como descrever a expressão de espanto dos dois. Minha mãe se recuperou rapidamente e pediu com aquela fé que só uma mãe pode ter para que Deus me abençoasse e trocamos beijos nas mãos e testas. Mas, chegando a vez do meu pai, tudo foi bem mais engraçado. O meu pai sempre acha que eu tenho um objetivo escuso para cada atitude que eu faço. E, ele tem os seus motivos. Então, de quarta para cá, todas as manhãs e noites tem sido um roteiro para uma comédia. Não é que ele não me abençoe, porque isso ele sempre fez mesmo sem que eu estabelecesse todo o ritual, mas meu pai, um homem muito sábio, acredita fielmente que um filho aceita a benção e abençoa um pai, quando segue todos os preceitos morais que esse pretendeu ensinar a vida inteira. Estou tentando fazer do jeito dele, mas preciso do meu momento perdigão, vou abrir meu coração, pedir a benção é bem mais fácil. E, não quero dizer que a faço por fazer, muito pelo contrário: quero que os meus pais tenham a certeza que fizeram um bom trabalho me direcionando na vida, eu que fiz questão de desobedecer “ouvir o lobo” e “seguir o caminho mais curto”,  creio que chegou a hora de “levar os doces” exatamente como tem que ser feito, pelo caminho certo. O bom da vida é que a gente amadurece. Dá-me a tua benção, meu pai! e dá-me a tua benção, minha mãe.

sábado, 2 de junho de 2012

Na Natureza Selvagem

Mudando um pouco o foco das minhas últimas publicações e voltando um pouco ao passado, porque já faz um tempo que tenho esse ritual estranho de ler o livro Na natureza selvagem. Achei interessante compartilhar com vocês como foi que esse livro chegou na minha vida. Alguém aí já reparou que cada livro chega de um jeitinho especial? O fato mesmo é que tudo começou com o filme  homônimo ao que tenho mania de reler. Eu acho um saco assistir a um filme e um babaca, sim porque é sempre um babaca, vir com esse clichê que "o livro é melhor". Ora, claro que é. São suas impressões, o sentimento que você configurou no momento em que lia o livro é totalmente seu, desse modo as significações que o livro lhe proporciona  lhe  são muito próprias. Um filme é a releitura do roteirista, a leitura do diretor e a emoção dos autores e da equipe de edição. Não dá para comparar. Podemos dizer que a releitura e emoção foi aquem da que tivemos, mas isso é questão de opinião e discutir opinião é a maior perca de tempo que existe. Eu gosto de verde, e você gostar de azul e ficar horas falando sobre o azul não vai me fazer ver o verde diferente. Então, é  perca de tempo. Mas, não é sobre isso que eu quero falar. Quero falar que foi tudo meio estranho com relação a esse filme. Eu estava naquele estágio de muito mais sono do que vontade de ver televisão, quando esse filme começou. Acontece que o sono ganhou mais vezes do que eu gostaria que tivesse ganhado. E, na minha cabeça ficaram perguntas que eu não sabia como responder. Bolei um monte de possíveis roteiros que não me satisfaziam. Eu queria o real. Passei a procurar esse filme, por todos os lugares. Mas não tinha a menor idéia nem do nome do filme. Até que um dia, numa locadora, contando os pedaços que o sono tinha me deixado ver, um rapaz até conhecido meu, me deu uma luz: "Coloca isso que você está falando no google, se ele não souber, ninguém mais saberá". Me considerei o ser mais estúpido do planeta, porque essa hipótese nem havia me passado pela cabeça. E, era a melhor opção. O google, então, me remeteu ao livro que encomendei pela livraria Leitura e passei a ler no dia seguinte, mesmo dia que o terminei. Por ser baseado em fatos reais e por acontecer coisas que eu estaria sujeita que acontecessem comigo se eu fosse menos covarde, eu o li com muita rapidez. Agora quero ver o filme por completo, mas ando sem coragem, tenho medo da decepção e ficar com o mesmo clichê que condeno. Sempre que tenho vontade de ver o filme, leio o livro de novo. Eu recomendo, aliais como faço com todos os livros que leio, menos A Cabana, que realmente é realmente uma leitura vulgar. 


P.S: Visite a página do livro  no face:  https://www.facebook.com/NaAventuraSelvagem

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Vomitando o que sinto...


Estava no telefone com uma amiga cheia das más intenções de me fazer inveja regrada a stella artois, quando recebi uma mensagem sua fazendo referência ao que eu escrevo sobre você. Fiquei acometida de uma não felicidade interrogativa e fui trabalhar pensando no momento que poderia te ligar para tentar tirar da estranha sensação sentida o não e a interrogativa, além, também, do bom pretexto para ouvir tua voz.  Acontece que o preço que paguei por isso foi todos os meus textos, naquele momento, perderam o afã que me causavam. Quis, então, relê-los depois que falei com você, os publicados e os não publicados, terminados e em fase de elaboração, porém a necessidade saborosa de reconstruí-los, que é o que faço toda vez que os leio e releio, se perdeu um pouco. Essa modificação radical de sentimento que experimentei é incrível e ilustra bem o discurso dos tantos outros que me criticam por me doar demais a você. O fato é que uma frase sua tem o poder de destruir ou animar a minha existência. E, os críticos dizem: ninguém deveria dar ao outro esse tipo de poder. E, o melhor de todo esse enredo é você não gostar e não fazer questão dessa capacidade de manipular minhas sensações e com elas minha vida, pelo contrário, ver-me tão vulnerável nunca te agradou.  Mas, voltando aos textos, não posso dizer  que eu não queria que você os lê-se, porque isso seria mentira. Os textos eram todos para você, mas sem ser. Eu os fazia como quem conta um segredo irrevelável.  Acontece que não sei quem te deu o direito de achar engraçado? Logo você, achar engraçado todo esse meu drama de te amar desse jeito?  No fundo, é bom que os textos tenham causado graça e não medo, porque todo amor exposto em exagero acaba sendo assustador, perde a leveza que o amor exige e, por isso, fica parecendo qualquer coisa se disfarçado desse nobre sentimento como apelo à aceitação. E, toda forma de apelação é uma admissão de que a razão se perdeu em algum momento. Mas, eu não perdi a minha,  hoje eu sei que até a psicodelia do meu amor é racional. Porque gosto do amor como ele foi citado em A última grande lição: “O amor é o único ato racional. E a frase que antecede essa é ainda mais importante: “Deixe o amor vir. Pensamos que não merecemos amor; pensamos que, se nos abrimos a ele, nos enfraquecemos”. O medo de ser vencido é que faz os famigerados bons críticos dos outros pensarem assim. Eu me libertei, agora vivo tal qual cantam os caras barbudos que usam camisa xadrez: “Eu que já não quero mais ser um vencedor/Levo a vida devagar pra não faltar amor”. Por isso, não me sinto vulnerável, nem enfraquecida por vomitar assim os meus sentimentos, nem vou me arrepender depois, porque essa é a minha verdade hoje e é o hoje que me importa, é o hoje que eu verdadeiramente tenho. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O cheiro do seu abraço


O nosso corpo nos engana, produzindo sensações nem sempre reais. Hoje, não pensando em você, o que é raro, tive a nítida sensação de sentir o seu perfume no ar e nada que a ciência tenha descoberto pode explicar esse maravilhoso acontecimento. Se eu soubesse como se dá essa auto enganação das sensações eu a provocaria sempre que as lembranças fossem insuficientes. Parei de pensar tudo que pensava para contemplar aquele momento sublime que eu nunca saberei quando e se acontecerá de novo. Os cheiros sempre me levam para lugares mágicos, onde guardo minhas melhores lembranças. Acontece, que de forma infeliz também tenho um depósito de más recordações acionadas pelos maus odores correspondentes, mas isso, agora, pouco importa, porque o que eu senti hoje foi o seu cheiro. E, o seu cheiro aciona a melhor de todas as melhores lembranças que eu cuidadosamente não guardei, mas que curiosamente estão dentro de mim arquivadas, significando cada atitude e cada escolha que eu faço. Lembrei-me, de pronto, ali envolta ao ar perfumado de você, do elogio que sempre te faço e pude sentir os seus braços envolver-me por completo me dando aquela boa sensação de que nada pode me atingir, de que estou no lugar mais seguro. E, envolvida por seus braços, grudada no seu corpo eu estou onde sempre desejei estar. Porque você sempre me proporciona o melhor abraço do mundo, que quase sempre deixa em mim seu cheiro, esse física e quimicamente explicável. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pessoas únicas


Hoje eu li alguma coisa do Chalie Chaplin, dessas imagens que a galera posta no facebook, que dizia algo sobre cada pessoa ser única e que remendava com a famigerada idéia de que nada acontece por acaso. Preciso concordar que as pessoas são únicas e deixam marcas únicas e nada que eu possa fazer para tentar substituí-las será eficiente, bem como para esquecê-las. E, é claro que há quem eu nem ao menos faça questão. Não somos capazes de substituir pessoas em nossas vidas, mas substituímos a forma como as percebemos. Os sentimentos que envolvem essa percepção, no entanto, possuem vida própria e tornam a unicidade de algumas pessoas tão intensa que passamos a perder suas dimensões. Eu tenho em minha vida um alguém assim, envolto em sentimentos que o fazem tão importante que eu procuro nas mais absurdas coisas encontrar uma maneira de me significar nele na mesma intensidade que o penso significado em mim. E, enlouqueço nessa idéia de tal forma que fiquei arrumando conjecturas que me levassem a bons prognósticos sobre o que pode estar para acontecer em nossas vidas. Fiquei imaginando que era uma espécie de sinal dos cosmos o time dele ter jogado nesse fim de semana sem explicação lógica aparente com a camisa da mesma cor do meu time. Essa imaginação me levou para um lugar bom, onde não existia chance para não sermos felizes juntos. E, como bons sentimentos atraem bons acontecimentos, ele me ligou para saber se eu estava bem. Eu poderia ter me contentado, então, com a boa intenção da ligação e continuado contemplando minha capacidade de mobilizar boas energias apenas com a força da imaginação, mas eu nunca me contento, sempre penso que o ponto está depois de mais uma pitada que costumeiramente não era necessária, o que desanda tudo e acaba me trazendo em uma velocidade quase imediata à realidade implacável dos que não se imaginam vivendo paralelamente ao que não se concorda, mas que não se pode de pronto e em definitivo modificar. Resolvi, então, comentar esse acontecimento da camisa do time como uma forma de compartilhar ou de fazê-lo concluir o mesmo que eu sobre essa movimentação do mundo para nos ver juntos de novo, perguntei sobre o motivo da mudança de cor, ao que ele prontamente como de costume destruiu as minhas mais românticas ilusões como quem comenta do tempo à um estranho numa fila qualquer, simplesmente explicou que não tinha motivo algum, que era a terceira camisa nova e ponto final. Eu fiquei desacreditada na falta de consideração que ele tratou aquele esforço do cosmos, elaborei uma “nota metal” para pesquisar sobre o assunto e peguei o primeiro elevador que me levaria a outra espécie de pessoa única, o bom profissional. Estou freqüentando um dentista que faz meu tratamento de forma rápida, sem dor, ao som de Clapton, Dylan e afins, e possui um motor elétrico que ao contrário do que é convencional em dentistas não faz barulho, o que fez com que ele alcançasse a proeza de quase ter acabado por completo com o pavor que eu tinha de ir ao dentista, digo quase porque apesar de não ter mais medo criarei, fatalmente, sérios bloqueios financeiros. Bons profissionais são pessoas únicas, que custam caro. 

Hábito de sentir sua falta


Eu adquiri um hábito feio de reclamar do meu destino pouco feliz, assim longe de você. E, para não cansar ninguém, agora faço essas reclamações para mim mesma, pensando ou mesmo falando em voz alta e isso é muito louco. Quando não estou nesse  processo quase ilusório de ser para mim a melhor companhia que alguém poderia querer, desde que esse alguém seja eu, estou sentindo a falta que você me provocou. E, não conjugo esse verbo no passado, porque você não faz mais parte da minha vida, porque isso eu não sei como se faz. Você é, agora,  a parte eleita como a mais legal de todas, talvez por não me pertencer, principalmente, quando eu percebo que nossos planos permanecem nessa dimensão que a gente nunca sabe onde fica, para onde vão todos os sonhos que não soubemos concretizar e que, por isso mesmo viram um fantasma inconveniente com o costume de  aparecer vez ou outra para nos cobrar . Qualquer ausência sua me causa falta, me causa dor. Uma ida à geladeira para nos buscar uma cerveja me provoca uma sensação estranha, como se eu acabasse de perder para sempre algo que apesar de desejar muito nunca possuí. Você nunca aprendeu a se fazer presente nas suas ausências a não ser que seja provocando em mim sua falta. Vira e mexe e eu acredito nas continuidades, mas ser contínuo nunca foi o nosso forte, não no que diz respeito a sentir, porque isso nem querendo a gente muda, mas no agir. Sempre fomos a incontinuidade incoerente, que atribui ao que somos uma não padronização que nunca sabemos lidar quando distantes da certeza que nossas presenças nos proporcionam, quando estamos mergulhados um no mundo do outro. Mas, quando estamos no mundo dos normais, dos comuns, acreditamos que nossa estranheza não é contestável até que o primeiro idiota nos dirija perguntas que fatalmente nos levam a definições que não nos cabem. Somos exatamente o que não sabemos conceituar e isso é o melhor de nós dois. Somos essa procura incessante por respostas que não queremos ter, porque simplesmente não mudam nada, não alteram o que sentimos e isso é o melhor dos sentimentos, porque a eles não se encerram definições.  E, então troco meu hábito de reclamar pelo de sentir sua falta. E, já fiquei tão especialista nisso que passei a vigiar toda não falta que eu já não quero sentir. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O tempo e o Segredo

Tenho a mania estranha de olhar para as pessoas e parar para imaginar a história de cada uma. É como se fosse capaz de projetar, talvez, um roteiro de filme, um curta metragem, um longa, uma animação, ou o que seja. O que acontece por trás de um gesto, um sorriso, um olhar é o que me intriga. E me pergunto se teria eu esse poder na mente, como um integrante dos X-MENS, ou uma personagem de filme de vampiro para adolescentes, mulheres com alto nível de sensibilidade.
Nessa de olhar sempre me pego concentrada demais diante de uma cara assustada que me olha de volta, como se eu estivesse me olhando no espelho e me assustasse com meu próprio rosto a me questionar. Então, depois que percebo essa atitude socialmente mau vista (me concentrando onde não sou chamada), minha imaginação para de construir possíveis histórias e passa a levantar hipóteses sobre o que as pessoas estão pensando sobre minha concentração para elas despropositada. Começo a pensar como Sherlock Holmes, mas sem o seu parceiro de empreitadas mirabolantes. Mal sabem elas que são protagonistas de dramalhões, tragédias e plena felicidade, isso tudo dependendo da minha própria expectativa sobre minha vida. Já percebi que sempre me projeto. Que me jogo na fantasia do concreto e do abstrato, parece até que pulo de bang jamp.
Sempre fico naquela de pensar se com os outros acontece o mesmo. Será que todos que me olham pensam que quando olho, fico indagando o que eles pensam que eu penso? Nossa! Essa até pareceu uma linha tirada de Friedrich Wilhelm Nietzsche, além do bem e do mal. Aí me perco nas possibilidades que meus gestos, sorrisos e olhares geram para os levantamentos de hipóteses e construção de possíveis roteiros da vida.
Por vezes, tenho a chance de constatar que há gente, sim, que levanta hipóteses. E, muitas das que se aproximam as confirmam, umas administram bem outras se decepcionam totalmente. O bom disso, é que, a maioria das decepções gira em torno de coisas ruis, por vezes, sou melhor do que esperam de mim e é bem comum me constatarem mais frágil do que me imaginam.

Parceria de Naira Martins e Mario Sérgio.

O Jeito é escrever....

Nunca fui muito persistente com minhas coisas. Mas, com esse lance de escrever a coisa é bem pior. Acredito que tenho um trauma. Como bem lembrei ontem conversando com o Mario Sérgio no facebook, houve um professor meu que me disse o seguinte: “Naira o seu problema é que alguém disse para você que você escrevia bem e você acreditou”. E esse digníssimo professor nem sabe o desserviço que ele me prestou, porque a partir de então passei a acreditar que não deveria ter acreditado em quem disse que eu bem escrevia. Agora olho para tudo que escrevo com certo desdém e me preocupo muito com os amigos que me elogiam, me questionando se devo ou não acreditar e adquiri confiança no que produzo. Com todas essas questões não deveria estar escrevendo nada, eu sei. Mas a Luciane Dias resolveu me desafiar e vamos nos cobrar produções... Fora que a Cinthia Freitas também resolveu entrar nessa. Então, é muita gente me cobrando. O jeito que tenho é escrever... Mas, tenho que arrumar um jeito disso tudo me ser leve como um chazinho com biscoito!