quarta-feira, 28 de maio de 2014

Copa do Mundo

Fiquei pensando sobre a Copa no Brasil, alias não sei quem não se encontra em tal situação ou por consciência social ou por vontade de gritar gol. Entre todos os meus pensamentos me demorei na reflexão sobre as pessoas conformadas que postam em suas redes sociais frases do tipo: “o problema do Brasil não é a copa”; “Se não tivesse a Copa no Brasil os hospitais, escolas, estradas estariam do mesmo jeito”; ou a “roubalheira arrumaria outra desculpa”. A priori fiquei muito indignada com essas pessoas, afinal se sediar a Copa não é o problema, também não era a solução e se as coisas permanecem do mesmo jeito temos que mudar a nossa atitude diante dos problemas para justificar esperar resultados diferentes.
Revoltada, então, tirei boa parte dessas conformadas pessoas do meu feed de notícias e bloqueei outras tantas das minhas redes. Mas, depois pensei melhor, vivo em processo de auto avaliação constante, e conclui que estou sendo hipócrita. Em copas anteriores, a vida no Brasil era a mesma bosta, não tinha e não tenho retorno dos meus impostos, não tenho segurança e da pouca que tenho recebo orientações absurdas como a de ser gentil com assalatantes, porque a minha reação natural de proteger o meu bem pago em “n” vezes com o meu trabalho pode não ser bem interpretada pelo bandido, que pode, por isso, resolver me matar. Aliás, eu também faço parte de um sistema que não funciona. Apesar de precisar registrar que faço o que é possível para que o quadro mude e acompanhe o comprometido trabalho de excelentes profissionais, ainda tenho alunos que em detrimento dos 07, 08, 10 anos que frequentam a escola, são analfabetos funcionais. E, não tem nada mais triste do que uma criança que não interpreta o que codifica e que por vezes codifica mal...
Mas, continuemos pintando o horrendo cenário das nossas patéticas vidas hipócritas. Ninguém pode estacionar o carro sem ser coagido a pagar ao flanelinha para não ter o carro riscado, arrombado ou sei lá o quê. Flanelinha, aliás, que o governo registrou, admitindo que a segurança oferecida à população é ineficiente. Na verdade, chegar a um estacionamento já é um feito, haja visto que as estradas estão um caos tanto no que diz respeito a estrutura das vias quanto ao fluxo. Não podemos contar com o transporte público. Pago um plano de saúde exorbitante para esperar 3 meses por uma consulta médica, que tem hora marcada como mera formalidade, porque a verdade é que foi instituído uma ordem de chegada non cense, que nos faz esperar cinco horas em bancos nada confortáveis das clínicas e hospitais.
E, mesmo com tudo isso, eu não ligo. E, se ligo demonstro isso muito mal. Porque vivo de confraternização em confraternização com amigos e parentes, em suas casas, nos bares e restaurantes. Vou à festas e sorrio. Sei que o discurso conformado vai gritar: Mas a nossa vida não pode parar! E, não pode mesmo, mas há de se fazer alguma coisa que sei que não faço. Então, o que me incomoda na hipocrisia alheia que comprou ingressos e vai torcer para a Seleção?
Na copa anterior, por exemplo, bebi em todos os jogos, fizemos churrascos que entraram noites e madrugadas e o cenário era exatamente o mesmo: a corrupção comia solta, a inflação era camuflada/negada e lá estava eu bebendo, comendo e gritando Gooool. Então, o que mudou agora que a bagaceira é aqui?
Essa manhã eu encontrei a resposta ao ler o status de um amigo de faceboock: “temos vergonha, quando a visita percebe a sujeira que está embaixo do tapete”. A mudança foi essa, estou com vergonha da sujeira que venho fingindo não ter parte ao seguir a minha vida como se tudo estivesse de acordo, estivesse bom.
Talvez esse sentimento é a grosso modo análogo ao que fazemos quando morre alguém querido , passamos a fingir que a vida perdeu a cor, mas isso passa, porque a “vida continua”, aliás muita gente entra em depressão pela contradição presente nisso, querem sofrer eternamente, mas não é possível, isso deve ser um mecanismo biológico de sobrevivência. O mesmo ocorre quando o morto não é nosso, mas de um amigo, chegamos a limitar a nossa felicidade na frente dele, uma forma de respeito a dor que sente, não o chamamos para os bares, festas, sem que isso signifique que nós não as façamos ou as frequente. No fundo o amigo sabe, mas a gente segue, porque é isso que fazemos: Seguimos com essa vida sem proposito, indignados com situações que nada fazemos para mudar.
Nessa hora, tenho inveja dos que tem fé, porque acreditar numa recompensa para se viver toda essa loucura, ameniza bastante o sofrimento, apesar de ser contraditório e também hipócrita. Afinal não há religião que não fale de amor e compaixão como condição para essa recompensa e, seguir a vida com nossas rotinas diárias insignificantes “agradecidos” pelo o que temos, sem utilizar disso para melhorar nem que seja minimamente o sofrimento de alguém, é negar em tudo o discurso religioso.

No fim, minha indignação também é incoerente, e acho melhor que assim seja, porque a incoerência pressupõe movimento, que um dia espero nos leve a um lugar mais bonito, o que não é possível almejar com a estagnação conformada dos que votam no que “rouba, mas faz” e vivem a vida com meias indignações camufladas em hipocrisias instituídas.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Divagações sobre um conselho ao meio dia


Preciso revelar o amor que sinto agora, mas o que já fiz e falei me deixam uma marca que não compreendo. Tenho medo de ser criticada pelos que eu critiquei, pois me criticando estarão certos.  Esse amor é o avesso de tudo que já experimentei, é belo. Sinto que não é humano. Sinto que não vem de mim. E, eu que sou tão chegada ao drama e melancolia, hoje recebi um telefonema, quando o sol parece estar no cento do céu, a voz do outro lado da linha que outrora já se comprometia reiterava a promessa feita de vir ter comigo em meu exílio, um jogo de xadrez. A voz também me incentivou a fazer o que faço agora, mas sobre a temática da dor, coisa que de fato tenho propriedade. Mas, a dor quase idealizada que sempre senti entre palavras e notas de meus inspiradores favoritos, deixou de me fazer sentido. Agora, eu entendo que a dor é realmente inevitável, mas o sofrimento, minha cara voz do meio dia, nada mais é do que opcional. Minha opção, hoje, é pelo não sofrimento. Não chego a sentir a mórbida felicidade dos que crêem que a dor os dará a passagem para um futuro melhor, porque ando me importando muito com o presente e a forma como o estou vivendo. Tenho para mim que me concentrar na dor não é uma boa escolha e eu já cansei de rechear a minha vida com o oposto dessa. Posso não deixar de sentir a dor por ignorá-la, por não saber me expressar sobre ela, mas assim o farei, pelo menos enquanto não puder sentir em versos. A dor em versos sempre me causou inveja, quem dera eu sofrer com os poetas. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não me faz bem....


Procurei atribuir sentido as coisas me utilizando de conceitos retrógrados e sem sentido que absorvi por ser cômodo, por estarem ali prontos. Daí, eu sempre recriminei seu estilo de vida, seu baseado, seu pedantismo, sua música, seus amigos, fazendo até você tentar ser o que não gostaria e não acreditava. Você quis me explicar como vivia e gostaria de viver e eu não quis compreender. Mas, passa o tempo, porque ele sempre passa, e aqui estou eu, reproduzindo exatamente cada detalhe do que recriminei com a cruel diferença de não ter o seu talento, sua sagacidade e brilhantismo. Ando reproduzindo em preto e branco, em uma imagem chuviscada o que você fez e faz em alta definição. Dizem que é isso o bom da vida: deixar de ser hoje o que fomos ontem... Progressão ou não, apenas MOVIMENTAÇÃO, o que há de ser melhor do que ficar estagnado! “Só os idiotas não mudam de opinião”. E, você sabe e eu sei que minha idiotia não chega a me cegar totalmente. Acontece que a parcela que me cega me fez perder grandes oportunidades de deixar de viver de forma cretina, me fez perder você, o que não doía até você alcançar pelo caminho torto que você seguiu tudo o que eu desejava mesmo sem saber. Mas, ei de curar-me e encarar a luz. Comecei com atitudes e partirei para os conceitos. Pois, sou o avesso do convencional, mesmo ciente que isso quase sempre não me faz bem.
                                                                                                                             

domingo, 15 de julho de 2012

Auto análise


Se envolver no problema dos outros para esquecer os seus próprios problemas é uma estratégia pouco inteligente e muito triste, isso é um fato. Mas, também é muito desolador. Chega uma hora que o outro, sendo o outro passa a andar com as próprias pernas e o seu envolvimento não parece tão significativo quanto era na ocasião do problema. Daí você precisa novamente se auto enfrentar . É a batalha mais difícil dessa guerra que é a vida. O auto enfrentamento me angustia, me causa náuseas. Não sou apenas capaz de perceber minhas fraquezas, imperfeições e medos, mas principalmente sou capaz de perceber a pouca disposição que tenho para transformá-las em forças, perfeições e coragens. Preciso admitir, tenho preguiça da autotransformação. Boas resoluções é um primeiro passo, mas é um primeiro passo em um caminho longo, cheio de barrancos te convidando a encostar. E, eu não vacilo, encosto. No último Congresso Espírita que participei o palestrante citou o comentário de uma colega que afirmou amar o espiritismo, mas considerava esse negócio de reforma íntima muito complicada ou outro adjetivo que minha memória não me permite acessar. Penso o mesmo. Mas, sem reforma íntima não faz sentido nenhum a nossa existência. Passar a vida em branco é até mesmo impossível.  Estamos sujeitos a dor, sofrimento, decepções, angústias, medos e um tanto de outras coisas que só de pensar nos nomes me dá um frio na espinhela, como diriam os antigos. A forma como lidamos com essas sujeições é que determina o nosso grau de adiantamento. Em um processo de auto análise não é difícil concluir que estou parada. Ando adiando me perceber, porque estou me cansando de constatar o mesmo. Tentar ser hoje melhor do que fui ontem tem sido meu motivador diário, mas não é possível colocar a cabeça no travesseiro todas as noites sem de fato saber a resposta para a pergunta recorrente: “Conseguiu ser melhor?”. Na verdade, eu queria esquecer o que já sei. Quanto mais se sabe, mais se alimenta de argumentos o mais cruel dos juízes, a consciência. Minha consciência está muito próxima da minha condenação, e meu advogado, que são minhas atitudes, já esgotou os recursos possíveis. Ando, então, apelando para o Superior Tribunal, tenho feito tantas preces, novenas, orações, simpatias que passar por tudo isso tem se configurado menos dolorido e mais interessante. A fé é subjetiva demais para resultados tão objetivos, como eu gostaria que fossem. Daí sem objetividade nenhuma, vou andando fazendo o que acho certo para a coragem ou falta dela em cada momento que enfrento. Uma hora eu aprendo a agir conforme as determinações judiciais sem contaminá-las com minhas questões infundadas, que possuem apenas o objetivo escuso de adiar o auto enfretamento inevitável. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dois estranhos


Eu nunca tenho premunições, mas dessa vez era nítido. Eu tive uma premunição. Eu não deveria ter saído de casa. Mas saí, e já lá tive a chance de entregar o que fui para levar e ter ido embora, antes de você chegar, mas eu nunca dou ouvido ao que indicam as minhas sensações. Possivelmente não as ouço porque qualquer idéia de dominação me causa horror. Acontece que há domínios necessários, e sentimentos quase sempre não se enganam. Eu fui, teimei, fiquei e você chegou. Eu não estava arrumada, nem me julgava preparada para te ver. E, você estava com um esquisito novo visual, atribuindo um ar cômico a sua imagem. Eu gostaria de ter ficado incomodada, ter lamentado o nosso erro ou ao menos considerá-lo assim. Queria que como cena de filme toda a situação que outrora nos colocamos passasse pela minha cabeça com aquela borda esfumaçada, causando-me um aperto enlouquecedor no peito, mas isso não aconteceu. E, eu fiquei constrangida por não me constranger. Agimos, então, normalmente, você até me deu um tímido abraço e de longe me questionou o olhar fixado em você. Questionou-me com aquele olhar de quem já tem a resposta, sem imaginar que tudo o que eu queria saber era o que eu deveria realmente estar pensando ou sentindo mergulhada naquela sensação chata de nada sentir. Eu quis sorrir, tal como faço sempre que passo em frente aos locais onde estivemos naquele controverso dia,  mas fiquei ali sem sentir coisa alguma. Não sentir nada é um jeito estranho das coisas me incomodarem, porque passo a me mobilizar para sentir qualquer coisa e quase sempre qualquer coisa não serve. Aí, contrariando toda a sintonia, que já provamos não ter, eu te quis de novo e passei a te seguir com os olhos, experimentando um sentimento leve, que apesar de não doer, incomoda. Desejei estar te incomodando também, mas desse incomodo estranho que nos deixa assim, sem saber o que esperar da situação, do outro. Na verdade, não passamos de dois estranhos. 

À espera


Queria eu poder fazer da tua dor a minha
e perceber as dimensões profundas dessa tristeza.
Queria eu poder estancar a fonte que a alimenta
e te fazer viver sem dor.
Mas, o meu querer não basta,
e toda vez que a dor te invade,
me esmaga junto implacável
e percebo o tamanho da minha impotência.

E, dali do lugar onde estou
pequena e tremula como bicho acuado,
sei que estar ao seu lado é o que quero,
mas espero calada a vitória da essência. 

Sermos uma só nota


A dor que sentes não é mais só sua,
pois a sua doçura misturou tua dor na minha.
Então, a dor aumentou? Perguntarás
E, responderei com a pouca certeza que me resta.
A dor que te sangra a alma,
também me escorre no rosto.
Agora, febril perguntarás:
E, como vê-la em pranto abafará a dor que sinto?
E, eu sem poder algum de te estancar a dor
solto um clichê redondo, floreado com minha verdade.
Meu pranto nada abafa,
mas te proponho sermos uma só nota,
diminuído o risco de desafinarmos na vida.