Estava
no telefone com uma amiga cheia das más intenções de me fazer inveja regrada a
stella artois, quando recebi uma mensagem sua fazendo referência ao que eu
escrevo sobre você. Fiquei acometida de uma não felicidade interrogativa e fui
trabalhar pensando no momento que poderia te ligar para tentar tirar da
estranha sensação sentida o não e a interrogativa, além, também, do bom
pretexto para ouvir tua voz. Acontece
que o preço que paguei por isso foi todos os meus textos, naquele momento, perderam
o afã que me causavam. Quis, então, relê-los depois que falei com você, os
publicados e os não publicados, terminados e em fase de elaboração, porém a
necessidade saborosa de reconstruí-los, que é o que faço toda vez que os leio e
releio, se perdeu um pouco. Essa modificação radical de sentimento que
experimentei é incrível e ilustra bem o discurso dos tantos outros que me
criticam por me doar demais a você. O fato é que uma frase sua tem o poder de
destruir ou animar a minha existência. E, os críticos dizem: ninguém deveria
dar ao outro esse tipo de poder. E, o melhor de todo esse enredo é você não
gostar e não fazer questão dessa capacidade de manipular minhas sensações e com
elas minha vida, pelo contrário, ver-me tão vulnerável nunca te agradou. Mas, voltando aos textos, não posso dizer que eu não queria que você os lê-se, porque
isso seria mentira. Os textos eram todos para você, mas sem ser. Eu os fazia
como quem conta um segredo irrevelável. Acontece
que não sei quem te deu o direito de achar engraçado? Logo você, achar
engraçado todo esse meu drama de te amar desse jeito? No fundo, é bom que os textos tenham causado
graça e não medo, porque todo amor exposto em exagero acaba sendo assustador,
perde a leveza que o amor exige e, por isso, fica parecendo qualquer coisa se
disfarçado desse nobre sentimento como apelo à aceitação. E, toda forma de
apelação é uma admissão de que a razão se perdeu em algum momento. Mas, eu não
perdi a minha, hoje eu sei que até a
psicodelia do meu amor é racional. Porque gosto do amor como ele foi citado em
A última grande lição: “O amor é o único ato racional”. E a frase que antecede essa é ainda mais
importante: “Deixe o amor vir. Pensamos que não merecemos amor; pensamos que,
se nos abrimos a ele, nos enfraquecemos”. O medo de ser vencido é que faz os
famigerados bons críticos dos outros pensarem assim. Eu me libertei, agora vivo
tal qual cantam os caras barbudos que usam camisa xadrez: “Eu que já não quero
mais ser um vencedor/Levo a vida devagar pra não faltar amor”. Por isso, não me
sinto vulnerável, nem enfraquecida por vomitar assim os meus sentimentos, nem
vou me arrepender depois, porque essa é a minha verdade hoje e é o hoje que me
importa, é o hoje que eu verdadeiramente tenho.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O cheiro do seu abraço
O nosso corpo nos engana,
produzindo sensações nem sempre reais. Hoje, não pensando em você, o que é
raro, tive a nítida sensação de sentir o seu perfume no ar e nada que a ciência
tenha descoberto pode explicar esse maravilhoso acontecimento. Se eu soubesse
como se dá essa auto enganação das sensações eu a provocaria sempre que as
lembranças fossem insuficientes. Parei de pensar tudo que pensava para
contemplar aquele momento sublime que eu nunca saberei quando e se acontecerá
de novo. Os cheiros sempre me levam para lugares mágicos, onde guardo minhas
melhores lembranças. Acontece, que de forma infeliz também tenho um depósito de
más recordações acionadas pelos maus odores correspondentes, mas isso, agora, pouco
importa, porque o que eu senti hoje foi o seu cheiro. E, o seu cheiro aciona a
melhor de todas as melhores lembranças que eu cuidadosamente não guardei, mas
que curiosamente estão dentro de mim arquivadas, significando cada atitude e
cada escolha que eu faço. Lembrei-me, de pronto, ali envolta ao ar perfumado de
você, do elogio que sempre te faço e pude sentir os seus braços envolver-me por
completo me dando aquela boa sensação de que nada pode me atingir, de que estou
no lugar mais seguro. E, envolvida por seus braços, grudada no seu corpo eu
estou onde sempre desejei estar. Porque você sempre me proporciona o melhor
abraço do mundo, que quase sempre deixa em mim seu cheiro, esse física e
quimicamente explicável.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Pessoas únicas
Hoje
eu li alguma coisa do Chalie Chaplin, dessas imagens que a galera posta no
facebook, que dizia algo sobre cada pessoa ser única e que remendava com a
famigerada idéia de que nada acontece por acaso. Preciso concordar que as pessoas
são únicas e deixam marcas únicas e nada que eu possa fazer para tentar substituí-las
será eficiente, bem como para esquecê-las. E, é claro que há quem eu nem ao
menos faça questão. Não somos capazes de substituir pessoas em nossas vidas,
mas substituímos a forma como as percebemos. Os sentimentos que envolvem essa
percepção, no entanto, possuem vida própria e tornam a unicidade de algumas
pessoas tão intensa que passamos a perder suas dimensões. Eu tenho em minha
vida um alguém assim, envolto em sentimentos que o fazem tão importante que eu
procuro nas mais absurdas coisas encontrar uma maneira de me significar nele na
mesma intensidade que o penso significado em mim. E, enlouqueço nessa idéia de
tal forma que fiquei arrumando conjecturas que me levassem a bons prognósticos
sobre o que pode estar para acontecer em nossas vidas. Fiquei imaginando que
era uma espécie de sinal dos cosmos o time dele ter jogado nesse fim de semana
sem explicação lógica aparente com a camisa da mesma cor do meu time. Essa
imaginação me levou para um lugar bom, onde não existia chance para não sermos
felizes juntos. E, como bons sentimentos atraem bons acontecimentos, ele me
ligou para saber se eu estava bem. Eu poderia ter me contentado, então, com a
boa intenção da ligação e continuado contemplando minha capacidade de mobilizar
boas energias apenas com a força da imaginação, mas eu nunca me contento, sempre
penso que o ponto está depois de mais uma pitada que costumeiramente não era necessária,
o que desanda tudo e acaba me trazendo em uma velocidade quase imediata à
realidade implacável dos que não se imaginam vivendo paralelamente ao que não
se concorda, mas que não se pode de pronto e em definitivo modificar. Resolvi,
então, comentar esse acontecimento da camisa do time como uma forma de
compartilhar ou de fazê-lo concluir o mesmo que eu sobre essa movimentação do
mundo para nos ver juntos de novo, perguntei sobre o motivo da mudança de cor,
ao que ele prontamente como de costume destruiu as minhas mais românticas
ilusões como quem comenta do tempo à um estranho numa fila qualquer,
simplesmente explicou que não tinha motivo algum, que era a terceira camisa
nova e ponto final. Eu fiquei desacreditada na falta de consideração que ele
tratou aquele esforço do cosmos, elaborei uma “nota metal” para pesquisar sobre
o assunto e peguei o primeiro elevador que me levaria a outra espécie de pessoa
única, o bom profissional. Estou freqüentando um dentista que faz meu
tratamento de forma rápida, sem dor, ao som de Clapton, Dylan e afins, e possui
um motor elétrico que ao contrário do que é convencional em dentistas não faz
barulho, o que fez com que ele alcançasse a proeza de quase ter acabado por
completo com o pavor que eu tinha de ir ao dentista, digo quase porque apesar
de não ter mais medo criarei, fatalmente, sérios bloqueios financeiros. Bons
profissionais são pessoas únicas, que custam caro.
Hábito de sentir sua falta
Eu adquiri um hábito feio de
reclamar do meu destino pouco feliz, assim longe de você. E, para não cansar
ninguém, agora faço essas reclamações para mim mesma, pensando ou mesmo falando
em voz alta e isso é muito louco. Quando não estou nesse processo quase ilusório de ser para mim a
melhor companhia que alguém poderia querer, desde que esse alguém seja eu,
estou sentindo a falta que você me provocou. E, não conjugo esse verbo no
passado, porque você não faz mais parte da minha vida, porque isso eu não sei
como se faz. Você é, agora, a parte
eleita como a mais legal de todas, talvez por não me pertencer, principalmente,
quando eu percebo que nossos planos permanecem nessa dimensão que a gente nunca
sabe onde fica, para onde vão todos os sonhos que não soubemos concretizar e
que, por isso mesmo viram um fantasma inconveniente com o costume de aparecer vez ou outra para nos cobrar . Qualquer
ausência sua me causa falta, me causa dor. Uma ida à geladeira para nos buscar uma
cerveja me provoca uma sensação estranha, como se eu acabasse de perder para
sempre algo que apesar de desejar muito nunca possuí. Você nunca aprendeu a se
fazer presente nas suas ausências a não ser que seja provocando em mim sua falta.
Vira e mexe e eu acredito nas continuidades, mas ser contínuo nunca foi o nosso
forte, não no que diz respeito a sentir, porque isso nem querendo a gente muda,
mas no agir. Sempre fomos a incontinuidade incoerente, que atribui ao que somos
uma não padronização que nunca sabemos lidar quando distantes da certeza que
nossas presenças nos proporcionam, quando estamos mergulhados um no mundo do
outro. Mas, quando estamos no mundo dos normais, dos comuns, acreditamos que
nossa estranheza não é contestável até que o primeiro idiota nos dirija
perguntas que fatalmente nos levam a definições que não nos cabem. Somos
exatamente o que não sabemos conceituar e isso é o melhor de nós dois. Somos
essa procura incessante por respostas que não queremos ter, porque simplesmente
não mudam nada, não alteram o que sentimos e isso é o melhor dos sentimentos,
porque a eles não se encerram definições. E, então troco meu hábito de reclamar pelo de
sentir sua falta. E, já fiquei tão especialista nisso que passei a vigiar toda
não falta que eu já não quero sentir.
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