Preciso revelar o amor que sinto
agora, mas o que já fiz e falei me deixam uma marca que não compreendo. Tenho
medo de ser criticada pelos que eu critiquei, pois me criticando estarão
certos. Esse amor é o avesso de tudo que
já experimentei, é belo. Sinto que não é humano. Sinto que não vem de mim. E,
eu que sou tão chegada ao drama e melancolia, hoje recebi um telefonema, quando
o sol parece estar no cento do céu, a voz do outro lado da linha que outrora já
se comprometia reiterava a promessa feita de vir ter comigo em meu exílio, um
jogo de xadrez. A voz também me incentivou a fazer o que faço agora, mas sobre
a temática da dor, coisa que de fato tenho propriedade. Mas, a dor quase
idealizada que sempre senti entre palavras e notas de meus inspiradores
favoritos, deixou de me fazer sentido. Agora, eu entendo que a dor é realmente
inevitável, mas o sofrimento, minha cara voz do meio dia, nada mais é do que
opcional. Minha opção, hoje, é pelo não sofrimento. Não chego a sentir a mórbida
felicidade dos que crêem que a dor os dará a passagem para um futuro melhor,
porque ando me importando muito com o presente e a forma como o estou vivendo. Tenho
para mim que me concentrar na dor não é uma boa escolha e eu já cansei de rechear
a minha vida com o oposto dessa. Posso não deixar de sentir a dor por
ignorá-la, por não saber me expressar sobre ela, mas assim o farei, pelo menos
enquanto não puder sentir em versos. A dor em versos sempre me causou inveja,
quem dera eu sofrer com os poetas.