sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não me faz bem....


Procurei atribuir sentido as coisas me utilizando de conceitos retrógrados e sem sentido que absorvi por ser cômodo, por estarem ali prontos. Daí, eu sempre recriminei seu estilo de vida, seu baseado, seu pedantismo, sua música, seus amigos, fazendo até você tentar ser o que não gostaria e não acreditava. Você quis me explicar como vivia e gostaria de viver e eu não quis compreender. Mas, passa o tempo, porque ele sempre passa, e aqui estou eu, reproduzindo exatamente cada detalhe do que recriminei com a cruel diferença de não ter o seu talento, sua sagacidade e brilhantismo. Ando reproduzindo em preto e branco, em uma imagem chuviscada o que você fez e faz em alta definição. Dizem que é isso o bom da vida: deixar de ser hoje o que fomos ontem... Progressão ou não, apenas MOVIMENTAÇÃO, o que há de ser melhor do que ficar estagnado! “Só os idiotas não mudam de opinião”. E, você sabe e eu sei que minha idiotia não chega a me cegar totalmente. Acontece que a parcela que me cega me fez perder grandes oportunidades de deixar de viver de forma cretina, me fez perder você, o que não doía até você alcançar pelo caminho torto que você seguiu tudo o que eu desejava mesmo sem saber. Mas, ei de curar-me e encarar a luz. Comecei com atitudes e partirei para os conceitos. Pois, sou o avesso do convencional, mesmo ciente que isso quase sempre não me faz bem.
                                                                                                                             

domingo, 15 de julho de 2012

Auto análise


Se envolver no problema dos outros para esquecer os seus próprios problemas é uma estratégia pouco inteligente e muito triste, isso é um fato. Mas, também é muito desolador. Chega uma hora que o outro, sendo o outro passa a andar com as próprias pernas e o seu envolvimento não parece tão significativo quanto era na ocasião do problema. Daí você precisa novamente se auto enfrentar . É a batalha mais difícil dessa guerra que é a vida. O auto enfrentamento me angustia, me causa náuseas. Não sou apenas capaz de perceber minhas fraquezas, imperfeições e medos, mas principalmente sou capaz de perceber a pouca disposição que tenho para transformá-las em forças, perfeições e coragens. Preciso admitir, tenho preguiça da autotransformação. Boas resoluções é um primeiro passo, mas é um primeiro passo em um caminho longo, cheio de barrancos te convidando a encostar. E, eu não vacilo, encosto. No último Congresso Espírita que participei o palestrante citou o comentário de uma colega que afirmou amar o espiritismo, mas considerava esse negócio de reforma íntima muito complicada ou outro adjetivo que minha memória não me permite acessar. Penso o mesmo. Mas, sem reforma íntima não faz sentido nenhum a nossa existência. Passar a vida em branco é até mesmo impossível.  Estamos sujeitos a dor, sofrimento, decepções, angústias, medos e um tanto de outras coisas que só de pensar nos nomes me dá um frio na espinhela, como diriam os antigos. A forma como lidamos com essas sujeições é que determina o nosso grau de adiantamento. Em um processo de auto análise não é difícil concluir que estou parada. Ando adiando me perceber, porque estou me cansando de constatar o mesmo. Tentar ser hoje melhor do que fui ontem tem sido meu motivador diário, mas não é possível colocar a cabeça no travesseiro todas as noites sem de fato saber a resposta para a pergunta recorrente: “Conseguiu ser melhor?”. Na verdade, eu queria esquecer o que já sei. Quanto mais se sabe, mais se alimenta de argumentos o mais cruel dos juízes, a consciência. Minha consciência está muito próxima da minha condenação, e meu advogado, que são minhas atitudes, já esgotou os recursos possíveis. Ando, então, apelando para o Superior Tribunal, tenho feito tantas preces, novenas, orações, simpatias que passar por tudo isso tem se configurado menos dolorido e mais interessante. A fé é subjetiva demais para resultados tão objetivos, como eu gostaria que fossem. Daí sem objetividade nenhuma, vou andando fazendo o que acho certo para a coragem ou falta dela em cada momento que enfrento. Uma hora eu aprendo a agir conforme as determinações judiciais sem contaminá-las com minhas questões infundadas, que possuem apenas o objetivo escuso de adiar o auto enfretamento inevitável.