Hoje
eu li alguma coisa do Chalie Chaplin, dessas imagens que a galera posta no
facebook, que dizia algo sobre cada pessoa ser única e que remendava com a
famigerada idéia de que nada acontece por acaso. Preciso concordar que as pessoas
são únicas e deixam marcas únicas e nada que eu possa fazer para tentar substituí-las
será eficiente, bem como para esquecê-las. E, é claro que há quem eu nem ao
menos faça questão. Não somos capazes de substituir pessoas em nossas vidas,
mas substituímos a forma como as percebemos. Os sentimentos que envolvem essa
percepção, no entanto, possuem vida própria e tornam a unicidade de algumas
pessoas tão intensa que passamos a perder suas dimensões. Eu tenho em minha
vida um alguém assim, envolto em sentimentos que o fazem tão importante que eu
procuro nas mais absurdas coisas encontrar uma maneira de me significar nele na
mesma intensidade que o penso significado em mim. E, enlouqueço nessa idéia de
tal forma que fiquei arrumando conjecturas que me levassem a bons prognósticos
sobre o que pode estar para acontecer em nossas vidas. Fiquei imaginando que
era uma espécie de sinal dos cosmos o time dele ter jogado nesse fim de semana
sem explicação lógica aparente com a camisa da mesma cor do meu time. Essa
imaginação me levou para um lugar bom, onde não existia chance para não sermos
felizes juntos. E, como bons sentimentos atraem bons acontecimentos, ele me
ligou para saber se eu estava bem. Eu poderia ter me contentado, então, com a
boa intenção da ligação e continuado contemplando minha capacidade de mobilizar
boas energias apenas com a força da imaginação, mas eu nunca me contento, sempre
penso que o ponto está depois de mais uma pitada que costumeiramente não era necessária,
o que desanda tudo e acaba me trazendo em uma velocidade quase imediata à
realidade implacável dos que não se imaginam vivendo paralelamente ao que não
se concorda, mas que não se pode de pronto e em definitivo modificar. Resolvi,
então, comentar esse acontecimento da camisa do time como uma forma de
compartilhar ou de fazê-lo concluir o mesmo que eu sobre essa movimentação do
mundo para nos ver juntos de novo, perguntei sobre o motivo da mudança de cor,
ao que ele prontamente como de costume destruiu as minhas mais românticas
ilusões como quem comenta do tempo à um estranho numa fila qualquer,
simplesmente explicou que não tinha motivo algum, que era a terceira camisa
nova e ponto final. Eu fiquei desacreditada na falta de consideração que ele
tratou aquele esforço do cosmos, elaborei uma “nota metal” para pesquisar sobre
o assunto e peguei o primeiro elevador que me levaria a outra espécie de pessoa
única, o bom profissional. Estou freqüentando um dentista que faz meu
tratamento de forma rápida, sem dor, ao som de Clapton, Dylan e afins, e possui
um motor elétrico que ao contrário do que é convencional em dentistas não faz
barulho, o que fez com que ele alcançasse a proeza de quase ter acabado por
completo com o pavor que eu tinha de ir ao dentista, digo quase porque apesar
de não ter mais medo criarei, fatalmente, sérios bloqueios financeiros. Bons
profissionais são pessoas únicas, que custam caro.
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